O dia 2 de maio tem algo importante? Berlim foi tomada pelos soviéticos em 1945. Começou o 2 de maio de 68 na França. Em 1500, uma das caravelas da esquadra de Cabral, sai da Baía de Cabrália e segue de volta para anunciar a descoberta de terras novas - Futuro Brasil.
Mas para nós, hoje, é um dia depois do feriado do trabalhador. E voltamos ao trabalho normalmente.
O blog retorna em maio com apenas 4 linhas novas. Mais também repassa um link do Ponto do G antigo. Sobre a visão de uma pessoa apaixonada. Foi na passagem de 2009 para 2010. Espero que gostem.
a respiração vai a zero, falta ar... os olhos traem... aguados de amar...
Eu fico pensando até onde o medo nos leva? Alguns acreditam que nossa espécie evoluiu graças ao medo, criando artefatos e armas para proteção e desenvolvimento. É uma tese válida e com provas materiais acredito. Mas fico pensando no momento individual. No medo diário das pessoas comuns. O medo de sair de casa e ir a lugares que para a maioria seriam comuns e cotidianos. Há realmente esse medo e deve ser uma coisa muito paralisante. Fico pensando no medo da violência urbana, esse também me afeta, já que estou numa das áreas mais densamente povoada do planeta. Vejo e sinto o medo de perder o emprego. O medo de vagar sem ocupação formal. Também vejo e sinto o medo de, no meio desta caminhada, descobrir a inutilidade de tudo que passou, de tudo que foi cimentado até agora. É incrível ficar descalço na estrada e sentir o leve tremor do chão. A insegurança do caminho. A busca pela direção. Sentir o medo da folha branca e a tensa busca de palavras. As vezes elas não são tão claras. Cada minuto de espaço vazio é uma situação nervosa. E pode nascer o medo, e pode crescer o medo. Há ainda o medo de perder o amor. O medo de fraturar a relação amorosa. Será que ela se quebra? Ou será que dissolve ou se desfaz qual nuvem? O medo de deixar o coração aberto, o medo de sentir novamente uma paixão. Medo de ter medo de saber falar as coisas certas e fazer as coisas certas no momento ideal. Medo que apavora, medo que paralisa, medo que deixa mudo, deixa sem resposta, deixa a boca imóvel sem poder de gritar socorro.
Começando a semana com coragem, essa maneira de dizer: Estou com medo, mas estou reagindo.
Lembro de uma cena maravilhosa, do filme Blade Runner, aqui no Brasil traduzido como O caçador de Andróides. Numa das cenas, o “caçador” está seguro em apenas uma mão de um andróide que ele caçava. No alto de uma arranha-céu. Os personagens dos atores Rutger Hauer ( um ciborgue Nexus 6 de combate) e Harrison Ford ( Deckard - um ex-policial) ficam numa situação limite. A caça, o ciborgue chamados de replicantes, pode largar o caçador e deixar ele morrer pela queda. A cena numa tensão quase paralisante, mostra o ser que deveria ser sem emoções, fazer um discurso lindo sobre a vida ( vida breve - eles tinha 4 anos de limite) e o valor das coisas vividas. E antes de sua existência ser apagada, ele deixa o caçador em segurança no telhado.
O texto do filme é lindo. O nexus 6 diz:
“ é uma experiencia e tanto viver com medo. Isso sim, é a verdadeira escravidão!”
hoje finalmente saiu um pequeno texto em prosa. O Ponto do G nasceu em prosa. mas a vida é essa mistura. Prosa, verso, palavras desgarradas, discursos fortes, discursos em luta.
Parei perto da ilha,
para o barco descansar,
com madeira e rosto surrados
de tempestade...
a pele marcada de chuva
os olhos inundados de sol,
a ilha bem que atraiu,
por demais o viço dos coqueiros,
bichos, macacos,
sonhos terrenos,
canto de sereia,
e carne...
o coração suspirou...
mas sempre há rochedos encarpados,
e a praia some e cresce ao prazer da maré,
mas a brisa veio firme,
o barco meio que aprumou,
e na manhã qualquer
de qualquer dia,
o marujo viu o afastar da ilha.
Segue sempre barco e coração vadios...
segue assim perdido no oceano
é mais um ano
vendo tudo se afastar...
e a ilha?
vai sumindo...
bem lenta...
deslizando no vazio do mar...
Guto Grana
Eu Armagedon
09.04.13
CATRACA
Seu cardiologista
me ajude por favor...
ajuda esse coração babaca
que sempre emperra essa catraca
e bota a culpa no amor...
04.04.2013
Guto Grana
Eu Armagedon
SABOR
não vem sono nem sonho, só sede e tomo cerveja amarga a solidão não larga a solidez desaba, e eu vou me afogando... de linha em linha, verso contra verso, verso controverso puro contra-senso...
será que é falso? será que é fake? será tão fútil? será inútil
ou será apenas a máscara de um garoto sonso...
não vem o sono nem sonho, só sede e tomo cerveja amarga e minuto nenhum me canso...
Esta nova postagem fica para lembrar que este novo espaço foi criando no dia 1 de Abril, dia do golpe de 64. A data oficial é 31 de março, mas sabemos que o golpe foi tão covarde que teve até medo de ser iniciado no dia da mentira. Além de um espaço para escrever e gostar das palavras, este espaço é fundamentalmente um local, ou sítio de prazer, como dizem nossos irmãos portugueses. Contra torturadores, canalhas ortodoxos e dissimulados. Desconfiem dos moralistas, dos certinhos, dos perfeitos. Este é o desabafo.
sentir seus cabelos curtir seus dedos seus olhos fechados e suas mãos em desespero...
Guto Grana
MINHA CASA MINHA CASCA
eu comprei cama e colchão, Vou comprar mesa e cadeiras, e por televisão. Vou colocar música e filmes, sofá e bebidas e claro um ventilador... Quem sabe eu ganho visita um amigo, uma amiga ou um amor...