Vou falar mais do chão da sala ou da parede da cozinha vou contar do maleiro que falta no quarto ou ainda da fruteira da vizinha
Vou falar dos 3 revestimentos do banheiro da luminária que não instalo no canto da sala e do som que cala na cama box vazia em fevereiro...
Eu Armagedon Guto Grana
uma do Manoel Bandeira
ARTE DE AMAR
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo.
A possibilidade de amor acabou, ou pelo menos a esperança de tornar o momento mágico num momento mais longo, com verniz de eternidade. O momento mágico vai perdendo o brilho, a luz, tudo vai se apagando. Não há nada que faça mudar esse ar de desapegando, de se desfazendo, de morte anunciada do amor. Só há pouco ar, respiração contraída, pouca palavras, um deserto de silêncio...
Feito cerol fininho a desesperança vem cortando na mão, vem decepando tudo, o olhar e o brilho dos olhos estancam...
O dia 2 de maio tem algo importante? Berlim foi tomada pelos soviéticos em 1945. Começou o 2 de maio de 68 na França. Em 1500, uma das caravelas da esquadra de Cabral, sai da Baía de Cabrália e segue de volta para anunciar a descoberta de terras novas - Futuro Brasil.
Mas para nós, hoje, é um dia depois do feriado do trabalhador. E voltamos ao trabalho normalmente.
O blog retorna em maio com apenas 4 linhas novas. Mais também repassa um link do Ponto do G antigo. Sobre a visão de uma pessoa apaixonada. Foi na passagem de 2009 para 2010. Espero que gostem.
a respiração vai a zero, falta ar... os olhos traem... aguados de amar...
Eu fico pensando até onde o medo nos leva? Alguns acreditam que nossa espécie evoluiu graças ao medo, criando artefatos e armas para proteção e desenvolvimento. É uma tese válida e com provas materiais acredito. Mas fico pensando no momento individual. No medo diário das pessoas comuns. O medo de sair de casa e ir a lugares que para a maioria seriam comuns e cotidianos. Há realmente esse medo e deve ser uma coisa muito paralisante. Fico pensando no medo da violência urbana, esse também me afeta, já que estou numa das áreas mais densamente povoada do planeta. Vejo e sinto o medo de perder o emprego. O medo de vagar sem ocupação formal. Também vejo e sinto o medo de, no meio desta caminhada, descobrir a inutilidade de tudo que passou, de tudo que foi cimentado até agora. É incrível ficar descalço na estrada e sentir o leve tremor do chão. A insegurança do caminho. A busca pela direção. Sentir o medo da folha branca e a tensa busca de palavras. As vezes elas não são tão claras. Cada minuto de espaço vazio é uma situação nervosa. E pode nascer o medo, e pode crescer o medo. Há ainda o medo de perder o amor. O medo de fraturar a relação amorosa. Será que ela se quebra? Ou será que dissolve ou se desfaz qual nuvem? O medo de deixar o coração aberto, o medo de sentir novamente uma paixão. Medo de ter medo de saber falar as coisas certas e fazer as coisas certas no momento ideal. Medo que apavora, medo que paralisa, medo que deixa mudo, deixa sem resposta, deixa a boca imóvel sem poder de gritar socorro.
Começando a semana com coragem, essa maneira de dizer: Estou com medo, mas estou reagindo.
Lembro de uma cena maravilhosa, do filme Blade Runner, aqui no Brasil traduzido como O caçador de Andróides. Numa das cenas, o “caçador” está seguro em apenas uma mão de um andróide que ele caçava. No alto de uma arranha-céu. Os personagens dos atores Rutger Hauer ( um ciborgue Nexus 6 de combate) e Harrison Ford ( Deckard - um ex-policial) ficam numa situação limite. A caça, o ciborgue chamados de replicantes, pode largar o caçador e deixar ele morrer pela queda. A cena numa tensão quase paralisante, mostra o ser que deveria ser sem emoções, fazer um discurso lindo sobre a vida ( vida breve - eles tinha 4 anos de limite) e o valor das coisas vividas. E antes de sua existência ser apagada, ele deixa o caçador em segurança no telhado.
O texto do filme é lindo. O nexus 6 diz:
“ é uma experiencia e tanto viver com medo. Isso sim, é a verdadeira escravidão!”
hoje finalmente saiu um pequeno texto em prosa. O Ponto do G nasceu em prosa. mas a vida é essa mistura. Prosa, verso, palavras desgarradas, discursos fortes, discursos em luta.